"Desde o momento em que nascemos somos exploradores, num mundo complexo e cheio de fascínio. Para algumas pessoas, o interesse pode desaparecer com o tempo ou com as pressões da vida, mas outras têm a felicidade de mantê-lo vivo para sempre."
Gerald Durrell

Ciência no Jardim

'Desde o momento em que nascemos somos exploradores, num mundo complexo e cheio de fascínio. Para algumas pessoas, o interesse pode desaparecer com o tempo ou com as pressões da vida, mas outras têm a felicidade de mantê-lo vivo para sempre.' Gerald Durrell

Você sabe quanto de carbono seu jardim sequestra?

Como podemos ‘limpar’ nossa atmosfera de todo gás carbônico excedente? Há vários sequestradores de carbono, plantas são um deles. Sendo assim, todo jardim sequestra carbono. Mas, quanto carbono seu jardim sequestra?

Agapanthus africanus ou Agapanthus praecox?

Leigos e viveiristas identificam dois Agapanthus comuns nos jardins como Agapanthus africanus e Agapanthus orientalis. (...) Qualquer Agapanthus designado ‘africanus' no comércio de plantas é quase certamente Agapanthus praecox.

A margarida não é uma só flor

Quem diria que uma das flores mais populares de nossos jardins, a margarida, pertencente à família Asteraceae, e, portanto, parente dos girassóis, crisântemos, entre outras, não é uma só flor, mas a reunião de muitas flores?

Plantas que fogem do jardim

Parece estranho plantas ‘fugirem’ do jardim, mas é isso mesmo. Plantas podem escapar do cultivo reservado do jardim e invadir áreas de florestas e campos naturais, tornado-se uma grande ameça à biodiversidade.

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7 de dez. de 2010

Você sabia que o cheirinho de terra molhada é obra de bactérias?


O dia está quente e, de repente, cai aquela chuva para refrescar. Bastam as primeiras gotas tocarem o solo para sentirmos aquele agradável cheirinho de terra molhada. Um cientista diria: “Huumm, como é bom esse cheirinho de …Bactérias!” é isso aí! O aroma que sentimos vem desses seres microscópicos, que podem ser muito úteis para humanos e até para os…Camelos!
Em geral, associamos bactérias e doenças, mas alguns desses seres são inofensivos, pode crer. Esse é o caso da Streptomyces coelicolor, bactéria que vive no solo e fabrica uma substância chamada geosmina. É a tal geosmina, ativada pela água ou pela umidade da terra, que nos faz perceber o cheirinho de terra molhada.
Além de ser excelente produtora de antibióticos – medicamentos indicados para combater algumas doenças de origem bacteriana – essa bactéria é, digamos, uma aliada dos camelos. O odor característico que elas produzem em razão da umidade ajuda os camelos a encontrarem água no deserto. Claro que para sentir o cheirinho produzido pelas bactérias em ambiente tão seco os camelos precisam contar com um superolfato. E contam mesmo! Graças a esse sentido aguçado, são capazes de encontrar água a mais de oitenta quilômetros de distância isso é que é faro!

Enquanto bebem a água e saem pingando, os camelos não fazem a idéia, mas dão uma forcinha para as bactérias. É que dessa forma eles espalham os esporos – estruturas produzidas pelas bactérias que vão permitir que elas se reproduzem em outro lugar, algo indispensável para a existência dessa espécie de microorganismo.

Aposto que agora, ao ver um filme com camelos e desertos ou ao passear num jardim molhado e sentir o cheirinho de terra, você se lembrará que existem também bactérias do bem. então, ajude a espalhar essa boa notícia. Afinal, se não fossem esses microorganismos, os camelos poderiam morrer de sede. Já pensou o mundo sem esses curioso animais?

SILVA, Andreza Moura Pinheiro da. Você sabia que cheirinho de terra molhada é obra de bactérias? Revista Ciência Hoje das Crianças, ano 22, nº 202, jun. 2009.

5 de dez. de 2010

Verrugas nas plantas?

Galhas, também conhecidas como cecídeas, são uma das doenças mais comuns em plantas. Seis em cada dez famílias conhecidas de vegetais são atacadas por elas. As galhas espalham-se pelos brotos, folhas, botões de flor, ramos, caule e raiz. Ao contrário das verrugas humanas, elas não são causadas por vírus, mas por bactérias, fungos, ácaros, vermes ou insetos, que são chamados galhadores ou cecidógenos.
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Galhas em folha de cambará (Lantana camara). Foto: M. Eiterer
De forma resumida, pode-se dizer que as galhas são uma deformação no tecido da planta causada pela ação desses organismos, que como já vimos, podem ser os mais diversos. Para entender, vejamos os exemplo de um inseto galhador. A fêmea bota seus ovos sobre a planta – ou no interior do tecido, dependendo da espécie – e os abandona. Dos ovos, algum tempo depois, nascem as larvas e , a partir de então, tem início o processo de formação das galhas.
A larva do inseto dirige-se para alguma região da planta onde poderá se desenvolver. O local escolhido pela larva é chamado meristema, a parte do tecido da planta que ainda pode crescer – em geral, as folhas, mesmo depois de totalmente desenvolvidas, conservam pequenas áreas que possibilitam a formação de galhas. E como isso acontece? quando a larva começa a se alimentar, a galha vai crescendo. Mas não pense que ela cresce à medida que o futuro inseto vai engordando.
O que acontece é que para se alimentar do amido presente na planta, a larva lança sobre ele uma enzima que vai torná-la pronto para a sua digestão. Daí, a substância liberada pela larva estimula as células da planta a se multiplicar, produzindo aquele caroço ou verruga, a galha!
Vale lembrar que alguns pesquisadores consideram que as galhas já estão formadas desde o momento em que a fêmea do inseto coloca seus ovos sob o tecido da planta. Mas a maioria acredita que a formação da galha se dá da forma que acabamos de ver, quando a larva se alimenta e estimula a planta a multiplicar-se suas células.
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Galha. Foto: M. Eiterer
Dentro da galha, a larva encontra muito mais alimento do que em qualquer outra parte da planta. encontra, abrigo, mas não muita segurança. Por que? Bom, primeiro é preciso dizer que, embora os insetos não-galhadores costumam habitar a galha depois que os galhadores já a abandonaram, existem casos em que galhadores e não-galhadores habitem a mesma galha ao mesmo tempo. Existem casos também, em que os galhadores são destruídos por um grupo de insetos especializados os micro-himenópteros, provando que as galhas na função de abrigo não são totalmente seguras.
Os insetos que causam as galhas que se alimentam de vegetais, os chamados fitófagos. Esses insetos pertencem a grupos variados e a larva de cada um deles é capaz de produzir galhas diferentes. As larvas de insetos dos chamados grupos superiores – nos quais se incluem os besouros, as moscas, as borboletas e as abelhas – geralmente produzem galhas fechadas e a maioria contém uma larva por galha. Existem, também galhas abertas provocadas pela ação de um inseto picador, como os pulgões. As galhas podem, ainda, ter formas arredondadas ovais e de funículo, entre outras. Os causadores de galhas mais comuns são os dípteros grupo das moscas, mosquitos e pernilongos) e os himenópteros ( do grupo das abelhas, vespas e formigas).
É interessante saber que todas as fases de desenvolvimento do inseto galhador acontecem dentro da galha. Ele só a abandona quando se torna adulto.
Outro aspecto que devemos lembrar é que a galha é uma dilatação anormal do tecido das plantas e, por isso, pode prejudicar os vegetais. Pés de mandioca, algodão, eucalipto e manga, por exemplo, quando são atacados por galhas, ficam mais frágeis e podem até morrer. Mas imagina que, por outro lado, as galhas podem ser úteis, impedindo a reprodução das ervas daninhas, fornecendo tintas de boa qualidade, ácido tânico para amaciar couro e substâncias que podem ser usadas no tratamento de inflamações da boca, diarréias etc. Coisas da natureza!

SILVA, Maria Amato Conceição Bueno da. 2001. Verrugas nas plantas! Revista Ciência Hoje das Crianças,  nº 110.