"Desde o momento em que nascemos somos exploradores, num mundo complexo e cheio de fascínio. Para algumas pessoas, o interesse pode desaparecer com o tempo ou com as pressões da vida, mas outras têm a felicidade de mantê-lo vivo para sempre."
Gerald Durrell

Ciência no Jardim

'Desde o momento em que nascemos somos exploradores, num mundo complexo e cheio de fascínio. Para algumas pessoas, o interesse pode desaparecer com o tempo ou com as pressões da vida, mas outras têm a felicidade de mantê-lo vivo para sempre.' Gerald Durrell

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Agapanthus africanus ou Agapanthus praecox?

Leigos e viveiristas identificam dois Agapanthus comuns nos jardins como Agapanthus africanus e Agapanthus orientalis. (...) Qualquer Agapanthus designado ‘africanus' no comércio de plantas é quase certamente Agapanthus praecox.

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Quem diria que uma das flores mais populares de nossos jardins, a margarida, pertencente à família Asteraceae, e, portanto, parente dos girassóis, crisântemos, entre outras, não é uma só flor, mas a reunião de muitas flores?

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5 de jun. de 2012

Agapanthus

Agapanthus africanus x Agapanthus inapertus

 Agapanthus. Foto: Wikipedia

Agapanthus é um gênero de plantas originárias da África do Sul, isto é, só ocorrem naturalmente lá e em nenhum outro lugar. Elas ocorrem geralmente em áreas onde chove mais que 500mm por ano e em altitudes até 2.000 m. O nome Agapathus é formado por duas palavras gregas ‘ágape’ e ‘anthos’ que significam amor e flor, respectivamente, o que poderia ser interpretado como ‘flor do amor’, mas há outras interpretações possíveis.
O gênero Agapanthus foi descrito pelo botânico francês Charles Louis L'Héritier de Brutelle (1746 –1800) também conhecido por L'Héritier, em 1788. Primeiro, Agapanthus foi incluído nas família dos lírios (Liliaceae) depois na família dos narcisos (Amaryllidaceae), a seguir na família das cebolas (Alliaceae), voltou para Amaryllidadeceae, por fim está na família Agapanthaceae, família dos Agapanthus. 
O botânico Frances M. Leighton revisou o gênero, em 1965  e reconheceu dez espécies de Agapanthus: A. africanus (L.) Hoffmanns,  A. campanulatus Leighton, A. caulescens Sprenger,  A. coddii Leighton,  A. comptonii Leight, A. dyeri Leight,  A. inapertus Beauv.,  A. nutans Leight, A. praecox Willd, A. walshii L. Bolus. Contudo, utilizando o conteúdo do DNA, a vitalidade e a cor do pólen  como critério para investigar todos os gêneros de Agapanthus, Ben J. M. Zonneveld e Graham D. Duncan, em 2003, reconheceram apenas 6 espécies: A. campanulatus Leighton, A. caulescens Sprenger, A. coddii Leighton, A. praecox Willd., A. inapertus Beauv. and A. africanus (L.) Hoffmanns.
Algumas espécies de Agapanthus são cultivadas nos jardins de todo o mundo, por causa de suas inflorescências  globosas compostas de  pequenas flores azuis ou brancas. As espécies de Agapathus são muito variáveis nas suas características e distribuição, mas muitos similares quanto ao seu aspecto, por isso, são difíceis de identificar. Leigos e viveiristas identificam dois Agapanthus comuns nos jardins como Agapanthus africanus e Agapanthus orientalis. Agapanthus africanus é uma planta difícil de cultivar. Qualquer Agapanthus designado ‘africanus' no comércio de plantas é quase certamente Agapanthus praecox. 
Agapanthus africanus foi a primeira espécie de Agapanthus coletada na África do Sul e descrita em 1679 pelo nome de Jacinto africanus por Carolus Linnaeus (1707-1778). As plantas foram cultivadas e floresceram na Europa no final do século XVII. Talvez esteja aí o início da confusão. Além disso, todo Agapanthus é africano, mas nem todo Agapanthus que vem da África é Agapanthus africanus. Por fim, plantas identificadas como Agapanthus orientallis  são na verdade  Agapanthus praecox, o nome Agapanthus orientalis tornou-se uma sinonímia, depois da revisão de Ben J. M. Zonneveld e Graham D. Duncan, em 2003. Livros e sites que mostram Agapanthus africanus e Agapanthus orientalis, como plantas cultivadas em jardins estão, na verdade, desatualizados.
M. Eiterer


Fonte:

LEIGHTON, F.M. 1965. The genus Agapanthus L'Heritier. Journal of South African Botany, suppl. vol. no. 4. National Botanic Gardens, Cape Town.
ZONNEVELD, B. J. M. & DUNCAN, G. D. 2003. Taxonomic implications of genome size and pollen colour and vitality for species of Agapanthus L’Héritier. Plant Syst. Evol. 241:115-123 (2003).

14 de nov. de 2011

O que nos tornou humanos?

"A pergunta é antiga: de onde viemos? Os gregos da Antiguidade diziam que as formas tinham sido moldadas pelos deuses com a argila. Hoje sabemos que nossos corpos foram moldados por selação natural e que viemos da África. No passado distante, muito antes que as pessoas começassem a escrever, a lavrar o solo ou a usar barcos, nosso ancestrais viviam ali como caçadores-coletores. Ossos fossilizados revelam que temos parentesco com africanos que viveram um milhão de anos atrás, ou mais. E eram pessoas com uma aparência muito semelhante à que temos hoje. Nas rochas mais profundas, porém, os registros de nossa humanidade vão diminuindo até por volta de 2 milhões de anos atrás, quando dão lugar a ancestrais pré-humanos e nos deixam com uma questão que cada cultura responde de uma maneira diferente, mas somente a ciência pode verdadeiramente decidir: o que nos tornou humanos?

(...). Acredito que o momento da transformação que deu origem ao gênero Homo, uma das grandes transições na história da vida, brotou do controle do fogo e do advento de refeições cozidas. O cozimento aumentou o valor da comida. Ele mudou nossos corpos, nosso cérebro, nosso uso do tempo e nossas vidas sociais. Transformou-nos em consumidores de energia externa e assim criou um organismo com uma nova relação com a natureza dependente de combustível.
(...)"



Fonte da foto: Wikipedia

WRANGHAM, Richard. Pegando fogo: porque cozinhar nos tornou humanos. Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 2010.